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Carne bovina ganha competitividade no País

Fonte: BeefPoint

A diferença de preços da carne bovina para a de frango deve cair por conta dos fortes impactos da greve dos caminhoneiros nos negócios dos avicultores. Como consequência, o consumidor deve preferir comprar a proteína do boi no futuro próximo.

Essa é a avaliação do sócio e coordenador geral do Rally da Pecuária, Maurício Palma Nogueira. Segundo o especialista, os preços da carne de frango devem aumentar muito pelas perdas dos produtores, já que boa parte dos animais morreu ou foi sacrificada durante a greve dos caminhoneiros, o que significa tanto uma frustração de receita para os produtores, devido aos frangos que não foram vendidos, como uma perda total dos custos envolvidos na criação das aves, já que os gastos com alimentação, por exemplo, não serão recuperados.

“Não temos números fechados ainda, mas já estamos revendo as projeções até o fim do ano para a pecuária de corte, porque vai haver uma mudança na decisão de compra do consumidor”, afirma.

No caso da pecuária bovina, praticamente não houve mortes durante a greve. “Devido ao custo do animal, ninguém vai abater um boi se não tiver como vender em uma determinada semana.”

Isso não significa, entretanto, que a arroba ficará mais barata, pelo contrário. Palma Nogueira explica que esse aumento de competitividade da proteína do boi ocorrerá apenas em comparação com a carne de frango, contudo a arroba deve subir até o final do ano por conta da margem baixa com que os produtores estão operando atualmente.

“A cadeia produtiva da pecuária de corte tem uma margem líquida de 8%. Se a margem bruta é perto disso, muitos produtores estão tendo prejuízo”, avalia.

Perda expressiva

Embora os impactos para os avicultores tenham sido maiores, a pecuária de corte bovina também sofreu com a paralisação. Quando se fala de toda a cadeia produtiva, dos insumos até as gôndolas, o impacto da greve é avaliado em cerca de R$ 11 bilhões em 2018, segundo a Agroconsult. Esse cálculo leva em conta os negócios que deixaram de ser feitos nesse período, como leilões comerciais, já que não foi possível levar o gado para os certames.

Em relação às exportações, é esperada uma perda de US$ 240 milhões na comparação com as expectativas de maio, que eram de US$ 384 milhões. Ante abril, a queda dos embarques deve chegar a US$ 180 milhões. No caso dos confinadores, houve um aumento de 10% dos preços dos insumos, em maio, em relação ao projetado no início do ano para o período.

Palma Nogueira ressalta que essas perdas não são irrecuperáveis, mas dependem de um aumento de preços para ser remediada. “Só haverá reversão se os preços forem para cima em um ambiente inflacionário”, comenta.

Já sobre o Plano Safra, o superintendente comercial do Santander, Gustavo Pelloso, destacou a queda de 1% a 1,5% na linha de crédito rural. Segundo ele, apesar da cautela com o momento atual – uma vez que as empresas passam por problemas no fluxo de caixa e de produtividade –, o banco olha para o longo prazo e acredita no avanço do setor. “Não há nenhuma alteração na nossa política de crédito.”

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