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Como a correta adubação aumenta a produtividade da pastagem?

As pastagens, tão comuns na pecuária de corte brasileira, são consideradas culturas perenes, o que significa que, uma vez implantadas, elas devem persistir por muitos anos. Mas para que elas tenham sua produção intensificada, é imprescindível que sejam manejadas e adubadas de forma eficiente e adequada, garantindo produtividade e evitando a degradação.

Para os agricultores, adubar a cultura é uma prática corriqueira, afinal, eles sabem que, sem ela, pode até haver produção, mas sem o lucro desejado. Para os pecuaristas, no entanto, este necessidade ainda não é tão clara, já que muitos consideram a adubação da pastagem como um gasto desnecessário.

É claro que todo pecuarista procura o bônus na sua atividade, e não o ônus, mas, para isso, é preciso entender que a adubação da pastagem não se trata de um gasto, mas, sim, de um investimento.

Tanto o manejo quanto a adubação da pastagem devem ser muito bem conduzidos, garantindo a produtividade e lucratividade esperadas na atividade pecuária, sempre priorizando a viabilidade econômica. Mas você sabe como conduzir a adubação da pastagem para que ela seja a responsável por tornar a atividade altamente produtiva? Acompanhe.

Passo a passo para uma adubação da pastagem eficiente

Uma adubação eficiente começa com um cronograma bem fundamentado de todas as ações que serão realizadas, além da definição da melhor época para elas.

Os procedimentos de adubação podem ser realizados tanto no estabelecimento da pastagem (formação) quanto nas pastagens já estabelecidas, mas que precisam de manutenção. Os cronogramas, apesar de semelhantes, devem ser específicos para cada tipo necessidade de adubação.

Dito isso, para iniciar, efetivamente, uma adubação eficiente do solo, é preciso fazer a sua avaliação. Isso porque a análise do solo (também representada pela amostragem) constitui uma das práticas mais importantes para o sucesso do processo produtivo das pastagens, principalmente quando se pensa na sua utilização intensiva e racional.

É por meio da amostragem, com posterior análise laboratorial, que é possível determinar os níveis de todos os nutrientes essenciais, de forma a definir a administração mais racional e econômica de adubos e corretivos. A análise do solo deve ser realizada nos meses de fevereiro a abril.

Dando prosseguimento ao cronograma e tendo em mãos a análise de solo da área que se pretende adubar, é hora de determinar os níveis e o momento para isso, com a quantidade de corretivos a ser aplicada e as fórmulas dos fertilizantes.

Em seguida, tanto na formação quanto na manutenção, é preciso realizar a correção do solo por meio da calagem e da gessagem, etapa essa que, geralmente, é realizada nos meses de março a junho. Já entre outubro e novembro é feita a fertilização corretiva nas áreas que necessitam de fosfatagem, potassagem e a aplicação de micronutrientes (no caso da manutenção), além do plantio. Esse último processo é feito com a fertilização nitronegenada logo após o inicio do perfilhamento, aproximadamente 20 a 25 dias após a emergência das plantas.

Caso feito em pastagens já estabelecidas, entre outubro e novembro até março e abril, procede-se com a adubação de manutenção, que engloba as coberturas nitrogenadas pós-pastejo, acompanhadas ou não de outros nutrientes, sempre se guiando pela análise do solo.

Independentemente do tipo de adubação da pastagem, a palavra-chave neste contexto sempre será planejamento.

Principais formas de adubação para pastagens

Antes de promover a adubação da pastagem de forma eficiente e lucrativa, é preciso ter um claro entendimento sobre os tipos mais tradicionais que podem ser realizados para elevar a produtividade.

De forma bem simplista, o processo é dividido em:
•    Adubação corretiva: sempre utilizado para promover a correção do solo, de forma que ele tenha melhores condições para se desenvolver corretamente. É por meio da adubação corretiva que os níveis de fósforo, potássio e pH presentes no solo serão corrigidos, e, para isso adota-se, respectivamente, a fosfatagem, potassagem e calagem.

•    Adubação repositiva: utilizada para repor os nutrientes que naturalmente são tirados do solo ao longo do tempo. Como comparação, pode-se dizer que a adubação repositiva é mais suave que a corretiva;

•    Adubação produtiva: o produtor geralmente foca na adubação nitrogenada. O objetivo é promover o aumento da produção da pastagem, ou seja, ela é adotada pelo pecuarista que deseja trabalhar com pastagem adubada durante o verão ou pretende fazer um sistema rotacionado, por exemplo.

Calagem – “preparar o solo” para receber outros nutrientes

Apesar de ser, por vezes, menosprezada no processo de adubação, a calagem é considerada uma fase extremamente importante, já que ela funciona como uma espécie de etapa preparatória para “moldar” o solo, antes de ele receber outros nutrientes.

O produtor pode optar por fazer um grande investimento em fosfatagem em determinada área, no entanto, o fósforo pode ficar indisponível para a planta, caso não seja feita a devida correção prévia com calagem, por exemplo.

Além disso, a calagem é responsável pela correção da acidez do solo (elevando o pH deste), tem a capacidade de neutralizar elementos tóxicos, como o alumínio e o manganês, e possibilita o fornecimento de cálcio e magnésio para às plantas.

Erros mais comuns quanto à adubação da pastagem

Mesmo que seja realizada, a adubação da pastagem pode não trazer a produtividade esperada pelo pecuarista, e isso acontece devido a alguns erros, que são relativamente comuns, mas que precisam ser evitados, como:

1.    Realização incorreta da amostragem do solo: a análise do solo é realizada em laboratório, e a possibilidade de falhas é pequena, porém quando a amostragem é mal feita, não há como fazer uma avaliação precisa. Por isso, uma amostragem inadequada do solo pode provocar interpretações e recomendações equivocadas, causando graves prejuízos econômicos ao produtor e danos ao meio ambiente;

2.    Usar fertilizantes sem verificar a necessidade de calagem: como vimos, a calagem funciona para “moldar” o solo, e somente assim ele terá a capacidade de responder melhor a futuras fertilizações. Dessa forma, preparar o solo com calagem torna-se uma etapa essencial para o sucesso da adubação;

3.    Recomendar as doses de fertilizantes, principalmente nitrogênio, sem considerar a lotação animal pretendida: a adubação não é um processo considerado “barato”, portanto, para adequá-lo, é preciso a lotação de animais para a área. Além disso, é essencial que eles tenham potencial produtivo superior para responder a maior produtividade de forragem, caso contrário, também pode ocorrer prejuízos financeiros e com alimentos;

4.    Não monitorar os fatores climáticos, especialmente precipitação e temperatura mínima: esse tipo de erro parte de um cuidado que é pré-requisito básico, afinal, para que uma planta se desenvolva de forma plena, a precipitação e a temperatura são essenciais, mesmo que seja feita a melhor adubação possível;

5.    Não consultar um bom profissional: a adubação é um procedimento com muitos detalhes técnicos, por isso, não consultar um agrônomo ou zootecnista pode ser um grave erro para quem busca aumento da produtividade.

E você, como promove a adubação da pastagem na sua propriedade rural? Ficou com alguma dúvida? Escreva pra gente pelos comentários e até a próxima. 

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